Ubiraci estava tentando contatar o Deus do Rio. Há algumas semanas, um grande evento abalou a região: um demônio do segundo círculo chamado Makarios tentou corromper um poderoso demesne situado nas gigantescas cataratas do rio.

Para realizar seu plano, Makarios precisou cooptar o Deus do Rio. Este, embora cúmplice, também se tornou refém de Makarios.

O rio é crucial para a região, pois todo o comércio de bens passa por ele, muito por conta da Guilda. Makarios infiltrou-se na Guilda há alguns anos e, com suas informações, descobriu que a Guilda pretendia dar um golpe no Deus do Rio, que se tornara ganancioso.

O plano da Guilda era fortalecer os braços menores do rio com mais comércio, mudar gradualmente as oferendas e, com o tempo, desposar o Deus do Rio principal, colocando um substituto menos ganancioso.

Makarios descobriu isso e contou ao Deus do Rio, prometendo evitar o movimento da Guilda e garantir que ele continuasse lucrando com as oferendas e o comércio. No entanto, o Deus do Rio precisaria ajudar Makarios em seu plano.

Embora o Deus do Rio não quisesse que seu rio fosse contaminado por Makarios, o plano deste envolvia o demesne atrás da cachoeira, não o rio em si. Além disso, Makarios usou seus cultistas e influências para aumentar o poder dos rivais do Deus do Rio, forçando-o a ceder.

Mas o que o Deus do Rio não contava era que Makarios iria perder. Espíritos locais e os exaltados que apareceram na região conseguiram impedir o plano de Makarios. Durante a calibração, o Deus se escondeu. Agora, Ubiraci tenta chamar sua atenção.

Refletindo, o Deus do Rio acredita que se aliar aos exaltados pode ser o melhor caminho para manter sua hegemonia de poder. No entanto, ele é um deus sagaz e conhece Ubiraci, sabendo que ele é bondoso e inocente. Tentará ludibriá-lo, alegando que foi forçado por Makarios, para que Ubiraci se alie a ele. Se possível, pedirá ajuda para suprimir os deuses dos braços do rio, sem que Ubiraci perceba suas intenções.

Para isso, o Deus do Rio entregará a localização de possíveis cultistas de Makarios.


Cena da Aparição do Deus do Rio para Ubiraci:

Ubiraci estava à beira das gigantescas cataratas, o rugido da água caindo abafando todos os outros sons. Ele havia esperado pacientemente, sabendo que o Deus do Rio apareceria quando estivesse pronto. Então, das profundezas da névoa aquática, uma figura imponente emergiu, esculpida na própria essência do rio.

“Ubiraci,” a voz do Deus do Rio ressoou, profunda e melodiosa, “eu senti seu chamado.”

Ubiraci, com o coração acelerado, inclinou-se respeitosamente. “Grande Deus do Rio, busco respostas e orientação. Nossa terra foi abalada pelos planos de Makarios, e sei que fostes envolvido.”

O Deus do Rio suspirou, uma corrente de tristeza percorrendo seu semblante aquoso. “Makarios, o astuto demônio, aproveitou-se de minha vulnerabilidade. Ele me forçou a participar de seus desígnios, ameaçando contaminar meu rio e subjugá-lo aos seus desejos sombrios.”

“Mas, senhor, por que concordaste?” Ubiraci perguntou, a bondade e a ingenuidade claras em seus olhos.

“Eu estava preso, sem opções,” respondeu o Deus do Rio, sua voz transbordando sinceridade. “Mas agora vejo uma luz de esperança em você e nos exaltados que impediram Makarios. Talvez juntos possamos restaurar a harmonia e a pureza deste rio sagrado.”

“Como posso ajudar?” perguntou Ubiraci, determinado.

O Deus do Rio sorriu, sua expressão uma mistura de gratidão e astúcia. “Para começarmos, eu preciso que encontre os cultistas de Makarios que ainda estão escondidos na região. Eles representam uma ameaça contínua. Permita-me entregar-lhe a localização desses traidores. Em troca, peço apenas que considere minha situação: eu fui vítima tanto quanto qualquer outro.”

Ubiraci assentiu, sentindo a verdade nas palavras do Deus. “Farei o que for necessário para proteger nossa terra e nosso rio.”

“Excelente,” respondeu o Deus do Rio, com um brilho calculista em seus olhos. “E, se possível, ajude-me a conter os deuses dos braços do rio. Eles estão ganhando poder demais, e isso poderia desestabilizar a região. Naturalmente, faremos isso juntos, sem que outros saibam de nossas intenções.”

Ubiraci concordou, alheio às manipulações sutis do Deus do Rio. Enquanto partia, o Deus observou, satisfeito, a simplicidade do jovem exaltado, certo de que sua hegemonia seria mantida.