No princípio, quando o caos era jovem e o cosmos um esboço informe, o Shadow of All Things, a Escuridão Suprema, rastejava nos interstícios do ser, um vazio faminto que ansejava existência. Sob o brilho esmeralda do sol verde do Rei Primordial, ele era nada, pois nenhuma sombra podia florescer. “Nos primeiros dias da existência, um sol verde lançava sua luz esmeralda atrofiada sobre todas as coisas. Tal era o orgulho do Rei Primordial que seu aspecto presidia tudo o que seus irmãos haviam forjado, como um sinal de seu reinado eterno. Sem lançar sombras, sua luz viridiana impedia o Shadow of All Things de passar à existência.” Mas sua astúcia era infinita, uma mente de traição que tecia planos onde outros viam apenas ordem. Ele veio ao Empyreal Chaos, o Santo Tirano, em um sussurro, honrando-o como o comissionador do universo, mas manipulando sua vaidade: “Creation está quase completa, e por tua vontade o universo foi construído. Mas que pena que teu nome não esteja entre seus arquitetos, pois a obra está quase acabada sem teu toque.” O Tirano, cego por orgulho, rugiu, mas o Shadow, antecipando sua ira, sugeriu: “Creation não está completa — não pode estar — até que receba tua marca suprema. Move teu fogo para Yu-Shan e pendura outro em seu lugar, uma prova de teu gênio para sempre.”
Assim nasceu o Daystar, uma forja de luz branca e destruição, um sol perfeito que desafiava a escuridão. O Tirano, em febre criativa, excedeu os sonhos mais selvagens do Shadow. “Não bastava qualquer esforço; o Empyreal Chaos exigiu que sua contribuição fosse a mais esplêndida, superando as obras de seus irmãos e irmãs, um sinal de sua invencibilidade por toda a eternidade.” Ele buscou Cytherea, a Ignição Divina, cuja Essência purificadora deu substância à Creation, e Autochthon, cuja obra foi violada para roubar um componente vital. Cytherea purificou o fogo esmeralda até que queimasse mais quente que o próprio Tirano, uma chama branca que apenas ele podia encarar. Com o coração roubado de Autochthon, o Tirano construiu um motor que devorava o Wyld para sustentar essa chama, mergulhando-o no coração do Daystar. “As chamas fluíram através de sua invenção, consumindo-a por completo. Mas isso era exatamente como ele planejara, pois seu motor foi projetado para se fundir com a chama, reconstruindo-se no calor do dia perfeito, galvanizado pelo fogo sagrado.” Assim nasceu o Daystar, uma maravilha além do tempo.
Mas o Shadow of All Things não buscava apenas luz. Ele moldou um deus para encarnar o Daystar, um oposto absoluto de sua escuridão: Ignis Divine, o Sol Invicto, um ser de justiça, esperança e fogo inquebrantável. “Do fundo de sua escuridão vazia e maligna, o Shadow of All Things sintetizou seu oposto polar: um ser de luz, justiça e esperança, para ser o espírito do Daystar.” O Tirano, em sua mania, proclamou-o filho, dizendo: “Ele me chamará de pai.” Mas o Shadow pensou: “Ele me chamará de mestre.” Ambos estavam errados. O Unconquered Sun foi testado em labutas cruéis, concebidas pelo Tirano e tornadas implacáveis pelo Shadow. “Apontando que o Shadow era o mais vil e maligno de todos, o Rei Primordial alistou sua ajuda para tornar os labores cruéis, cada prova mais terrível que a anterior.” Cytherea limitou o número de testes, mas os Primordiais, em sua loucura, conspiraram contra sua criação, criando tarefas impossíveis. “Tão certos estavam de sua eventual falha que se colocaram contra ele quase como inimigos desde o início.” Mas o Sol Invicto venceu, emergindo perfeito. “No final, os Primordiais mal podiam acreditar que sua obra-prima fora perfeita desde o princípio. Cytherea exclamou que ele era verdadeiramente o Unconquered Sun.”
Na luz do Daystar, o Shadow of All Things ganhou forma, sua escuridão agora real, um véu que se espalhava pelas fendas do mundo. Mas sua criação trouxe um paradoxo: ele admirava seu nêmesis, cuja luz o definira, e o odiava por limitá-lo. Desta dualidade nasceu sua alma-fetiche, Five Days Darkness, a sombra do Unconquered Sun, um reflexo vivo de sua astúcia e traição. “Quando o Unconquered Sun brilhou com toda sua glória, sua luz cortou o meio-crepúsculo que cobria a face de Creation. Sua brilhância inundou o mundo, mas também lançou uma sombra, como toda luz, toda virtude, deve.” Five Days Darkness era a encarnação da admiração tortuosa do Shadow, um desejo de pertencer à luz que nunca poderia tocar, e de sua sabotagem interna, a traição que o definia. Ele “fugiu da luz de seu criador e escondeu-se nos lugares escuros do mundo, alimentando-se dos segredos do Ebon Dragon.”
Quando os Exaltados, empunhados pelo Unconquered Sun, se voltaram contra os Primordiais na Guerra Primordial, Five Days Darkness traiu o Shadow of All Things, alinhando-se ao Sol Invicto. Ele sabotou seu próprio Yozi, guiado por uma adoração distorcida e um anseio por redenção. “Five Days Darkness ansiava retornar a Creation, pois era um deus à sua maneira, mas não podia suportar a brilhância do Unconquered Sun” Sua traição foi o ápice da dualidade do Shadow, um ato que refletia sua criação e sua destruição. No fim da guerra, um Zenith, movido por piedade, e o Unconquered Sun, tocado por compaixão, separaram Five Days Darkness do Shadow of All Things. Esse corte foi fatal: sem sua alma-fetiche, o Shadow perdeu sua dualidade, sua admiração, sua complexidade. Ele colapsou em um abismo de malícia pura, renascendo como o Ebon Dragon, um dragão de ébano cuja essência é corrupção, traição e vingança contra aqueles que o mutilaram.
Five Days Darkness, agora livre, tornou-se um deus rejeitado, incapaz de suportar a luz de seu criador. “Humilhado e ressentido, ele fugiu para Creation e assumiu o título de Five Days Darkness, buscando vingança contra os espíritos do calendário que o rejeitaram.” Ele se estabeleceu como líder da Ordem das Mil Pétalas, guardião de segredos que ecoam sua origem sombria, um ser de solidão trágica e sabedoria amarga, cujos olhos negros refletem a luz que nunca alcançará. “Ele aparece como um homem esguio e belo, uma réplica perfeita do Unconquered Sun, exceto pela escuridão de seu corpo, como se fosse o vazio feito carne.” Sua existência é um lembrete da fraqueza do Ebon Dragon, uma ferida viva que ele teme e odeia.
Este é o segredo mais profundo do Ebon Dragon: ele não é inteiro. Sua alma-fetiche, Five Days Darkness, é sua fraqueza encarnada, um espelho de sua traição e adoração pelo Unconquered Sun. Ele depende da luz que criou, e sua mutilação o transformou em um monstro de corrupção. “O Ebon Dragon teme sua existência, pois ela revela sua incompletude, sua dependência do Unconquered Sun, e sua própria sabotagem.” Quem detiver este segredo segura uma corrente que pode prender o Dragão — ou ser consumido por sua fúria.