Numa era esquecida pelos sussurros do tempo, quando as ruínas de Sperimin testemunhavam apenas o eco de seus dias gloriosos, Yamato cresceu sob o olhar vigilante de seu pai divino, cujo domínio se estendia por entre as sombras e as luzes do mundo. Desde o seu nascimento, era evidente que Yamato carregava em si a herança dos deuses, uma linhagem de poder e mistério que o distinguia dos mortais comuns.
Ate que um dia o grande contágio se abateu sobre a terra. Sob os céus sombrios, menos de dez mil almas permaneciam, dispersas entre os escombros do que outrora foi um próspero campus universitário. Com a praga avassaladora, muitos fugiram para as sombras das florestas, cada um carregando consigo uma carga de desespero ou esperança. Entre os sobreviventes, um grupo de mil escolhidos se ergueu, unidos pela busca da salvação e pelo desejo ardente de sobreviver. Entre eles, uma linhagem ancestral, abençoada por uma antiga exaltação solar, carregava consigo um gene recessivo, um elo com os tempos imemoriais em que os mortais eram tocados pela essência dos deuses e dotados de poderes místicos.
Sob a égide dos céus, graças a segredos ancestrais e dádivas divinas que permeavam sua linhagem, esse grupo enfrentou o flagelo do grande contágio com coragem e determinação. Apenas sessenta por cento dentre eles emergiram das sombras da morte, erguendo-se como os fênixes da mitologia, renovados pela chama da sobrevivência.
Foi nesse cenário sombrio que Yamato surgiu como lider, cujo nome ecoaria através dos tempos. Em seu encontro com o destino, encontrou sua esposa, e juntos deram vida a cinco filhos, cujos destinos se entrelaçariam com os fios do destino: Liolin, Sato, Tayna, Kenji e Aeliana.
Guiados pelas estrelas e pela voz dos deuses ancestrais, a nova tribo se afastou das ruínas de Sperimin, refugiando-se nos recantos sombrios das florestas. Mas mesmo ali, a sombra da calamidade os alcançou, na forma de uma exaltada lunar que buscava subjugar o que restava da antiga glória.
Numa alvorada tingida pelo pranto dos deuses, a tribo abandonou seu lar, vagando por terras desconhecidas e enfrentando os horrores do mundo em desesperada busca por um refúgio. Milhares de quilômetros percorreram, sob o peso dos mortos e o fardo dos vivos, até que, como uma visão divina, encontraram um grande rio e três ilhas, erguendo-se como sentinelas no coração das águas tumultuosas.
Ali, sobre a terra fecunda, ergueram a cidade de Yamato, homenageando o patriarca que não viveu para testemunhar sua nova glória. Sob a égide dos céus, os anos se sucederam, guiados pelas mãos dos deuses e pelas marés do destino.
Mas mesmo entre aqueles abençoados, as sombras da discórdia se insinuaram, tecendo suas teias entre irmãos e sangue. Após a morte da matriarca, as fissuras se abriram, revelando os abismos que separavam os corações. Liolin, tocado pela promessa de um antigo santuário, alçou-se em busca de uma nova esperança, enquanto Sato, guardião das tradições, ergueu-se em defesa da cidade.
O confronto que se seguiu foi como o choque dos titãs, os alicerces de Yamato estremeceram sob o peso do destino. Tayna e Aeliana, testemunhas da tragédia iminente, fugiram para as sombras da floresta, carregando consigo os suspiros daqueles que os seguiram.
Divididos pelo fio da espada, os filhos de Yamato seguiram seus destinos: Liolin rumo ao santuário dos deuses antigos, Kenji, Tayna e Aelina em busca do desconhecido, e Sato, erguendo-se dos escombros, determinado a reconstruir Yamato das cinzas da discordância.