Seu nome é Nina, mas no Salão de Jade e Vento era conhecida como Madame Âmbar.
Era a mais desejada das cortesãs de um dos bordeis mais exclusivo de Nexus, um palácio de prazeres flutuante, sustentado por glamour e contratos — sob domínio de um dos Fair Folk mais antigos ainda ativos na Criação: Efiron das Tramas de Fumaça.
Nina não era apenas bela. Era influência, sabedoria, sedução. O salão era uma teia delicada, e ela era a aranha que dançava no centro.
Muitos em Nexus se perguntavam como uma mortal havia conquistado tanto sob o olhar de um raksha. Mas Nina conhecia as palavras certas, os limites do contrato e, acima de tudo, o que os homens desejavam ouvir.
Ela conhecia políticos, artistas, comerciantes, chefes da máfia, grandes contrabandistas, dinastas, e qualquer outra coisa que havia em Nexus. E sabia seus segredos.
Então, Jin apareceu.
Um jovem violinista das ruas de Nexus. Sem nome, sem posses, sem esperanças — mas com música que fazia a sala parar. Nina o viu tocando numa praça perto do cais e, movida por impulso, pediu a Efiron que o contratasse como músico residente.
Foi um capricho… a princípio.
Mas as semanas passaram. E Jin, com seus gestos simples, suas conversas honestas e sua música sincera, começou a atravessar as defesas que Nina nem sabia que ainda possuía.
Jin falava de coisas que ele gostava. Passeios no campo, pescar em um lago, dormir na sombra de uma árvore.
Ela começou a sorrir fora de hora. A pensar em como seria a vida fora dali. E a imaginar coisas tolas: tardes com Jin sob o sol, uma cabana perto do rio, roupas simples, mãos dadas.
Até que, um dia, Jin revelou seus sentimento à Nina. Ele a cortejou de uma forma que abraçou completamente seu coração. Tocou uma canção que a fez suspirar mais profundamente do que qualquer outro homem.
E isso a apavorou.
Nina sabia que, se partisse com ele, teria uma vida maravilhosa, de muito amor e confiança. Algo que nunca havia tido.
Ao mesmo tempo, ela perderia tudo que havia conquistado como Madame Âmbar. Sua influência, seus contatos e seu poder.
Então ela destruiu o que amava.
Recusou o pobre violinista e disse que ele não era o suficiente para ela.
Ela esperava que isso o afastasse, que ele desistisse ou apenas fosse embora e não voltasse.
Mas o destino raramente é tão simples.
Duas noites depois, Nina soube que ele havia sido encontrado enforcado sob a Ponte Sussurrante, com o violino quebrado aos pés.
Ela chorou. Chorou em silêncio. Seu coração completamente despedaçado. Depois se vestiu em seda vermelha e desceu para o salão, onde um Terrestre da Casa Cynis aguardava por sua companhia.