AS TRIBOS DE MALAMETE

Nossa história começa a muito, muito tempo atras, com uma figura inusitada. Um exaltado lunar, chamado Sesus Rafara, vivia nas imediações da cidade/academia de Sperimin. Seus domínios eram vastos e seguros, fruto do seu grande esforço dedicado a criação de várias espécies de Beastman para povoar os segmentos mais selvagens da Criação.

Ele fazia parte do Thousand Streams, mas tinha um certo desdém com a humanidade, os escolhidos dos Incarnas. Segundo sua visão de mundo, deveriam reinar somente aqueles mais fortes e aptos para defender a Criação. Não colaborou o fato de que ele era um grande amigo de vários Dragon Kings, os quais lhe confessavam grande desgosto por serem deixados de lado em favor dos humanos.

Desta forma, Sesus Rafara se empenhou em povoar a Criação com mais e mais raças, incentivando-os a se multiplicar e proteger a Criação a todo custo.

Entretanto, algo mudou para pior. Suas atribuições como exaltado celeste, junto dos pedidos de sua contraparte solar (a quem ele respeitava muito), lhe distanciaram de sua terra natal por vários anos. Isso acabou dando margem para que outras pessoas se utilizassem de alguns de seus Beastman para fins nefastos, como viria a acontecer no futuro.

Passado tal tempo fora, se iniciou uma das maiores catástrofes da história. A Grande Praga matou quase toda a população da Criação, deixando em ruinas milhares de civilizações e extinguindo outros milhares. Em Sperimin, lar de Yamato, não foi diferente. Os poucos moradores que sobreviveram fizeram o possível para se prevenir com o melhor que a academia poderia oferecer. Poucos sobreviveram.

Porém, não muito tempo depois, Raksi, outra exaltada lunar de grande poder, cooptou as raças restantes de Beastman (que acreditavam que seu patrono os havia abandonado) e junto de seu exército tomou controle de Sperimin, tornando-se rainha de toda a região.

Vários anos depois Sesus retornou, porém agora uma sombra de seu antigo prestígio e poder. Aqueles que ele conhecia haviam desaparecido ou foram mortos por Raksi, e ele não tinha poder para confrontá-la. Uma tentativa diplomática quase lhe custou a vida, ao passo que ele foi enxotado de sua terra natal.

Foi com muito pesar que ele partiu para tentar se reerguer. Para tal ele decidiu ir atras de um território seu que ele havia explorado a muito tempo atras, bem ao sul de Sperimin. La ele encontrara um raro Demesne de energia lunar particularmente escondido onde ele tinha feito um Manse provisório para sua atividade favorita, a caça.

Chegando lá, sua desolação foi grande. Um grande pedaço da região já estava contaminado pela Wyld, gerando uma grande extensão de Bordermarches.  Mas para a sua sorte o Manse estava ileso, e ele pode recomeçar as suas operações para tentar, ao menos, salvar aquele pedaço da Criação. Uma eventual vingança contra a Raksi era irrelevante no momento.

Ele procurou então a fera mais forte daquela região, os Leões das Arvores, e deu de cara com a espécie já modificada. As criaturas, ao consumirem presas totalmente diferentes e mais perigosas, acabaram sendo contaminadas pela Wyld e desenvolveram um novo conjunto de habilidades que lhe tornavam ainda mais mortíferas. Além de maiores e mais fortes, eles adquiriram a capacidade de se camuflar como um camaleão, modificando a cor de suas pelagens e juba para espreitar suas presas.

Sesus, embora relutante, verificou que os animais eram férteis o suficiente para sobreviverem na Criação. Desta forma, ele começou a utilizar de seu Manse para criar uma sociedade de Beastman para proteger a região. 

OS LEONINOS

O trabalho foi árduo, mas a convicção de Sesus gerou frutos certeiros. Uma nova raça de Beastman, chamada de Leoninos, começou a povoar e proteger a região.

Os Leoninos, assim como sua raça progenitora, detinha muito de suas características físicas. Eram humanoides altos e fortes, extremamente adaptados ao combate na selva. Eles também herdaram sua habilidade mais mística, onde sua pele e juba eram capazes de manifestar em cores suas emoções e eram extremamente versáteis na prática da caca, herança de seu patrono (e algo necessário para sobreviver).

DESCRICOES GERAIS DA RACA

ORGANIZACAO

Por serem uma tribo que se move exclusivamente pela extensa vegetação, eles acabaram assentando várias tribos menores que vivem no topo das arvores. Isso tornava mais difícil que fossem surpresos por invasores, ao mesmo tempo que lhes davam uma vantagem no combate na selva.

As estruturas familiares também acabaram herdando muito do animal ao qual eles se espelham. Um Leão das Arvores, o maior e mais forte de uma “família”, mantem um harem de várias leoas (igual ao nosso mundo), e ele e responsável por proteger e manter todos, seja por combate, proezas, entre outros. Como e de se imaginar, a proporção de fêmeas ultrapassa a de machos, geralmente de três para um.

As leoas, caso não existam motivos contrários, são extremamente leais e colaboram com seu parceiro na caca e criação dos filhotes. Mas essa regra não é absoluta. Caso perceba fraqueza ou inaptidão de manter suas obrigações com sua família, parceiras ou filhotes, as leoas são capazes de abandonar seu atual parceiro em busca de alguém mais “apto”, gerando famílias extensas, geralmente englobando uma “grande família estendida” entre vários membros de uma mesma tribo. Por questões morais (e de jogo), dado o conceito de idade, na tribo ambos os gêneros podem ter vários parceiros (as) de diferentes faixas etárias (tal qual na natureza). Assim que consigam gerar filhotes elas partem em busca de um companheiro. Quando e como depende de vários outros critérios.

Os filhotes são criados na família até os 12 anos, quando são “incentivados” a “explorar” o mundo e se mostrarem dignos de sobreviver por conta própria. E desde muito cedo eles são ensinados na arte da caca e seus acessórios, como courearia e fabricação de ferramentas básicas.

Para os machos, a situação e um pouco mais hostil. Nada impede que eles vivam na tribo, mas eles devem se provar ou então não serão considerados dignos de possuir uma parceira e, consequentemente, uma família. Isso geralmente ocorre aos 12 anos, quando a juba do aspirante cresce o suficiente. Além disso, essa “reputação” pode advir de vários fatores. Ser um grande caçador, guerreiro ou líder são os mais comuns. Um grande renome por alguma situação pode acontecer, mas se ele não “cumprir” com o que se propõe ele também acabara perdendo sua família.

CULTURA

A civilização dos Leoninos e relativamente simples, e bem contida em si própria. Eles sobrevivem majoritariamente da caca, mas também recolhem os frutos da selva por onde passam. Eles são espertos o suficiente para não acabarem com a população de suas presas, tomando bastante cuidado com a época de acasalamento e filhotes (herança direta de seu patrono e dos deuses animais). Por se tratar de uma região hostil, todos tomam o maior cuidado para que os poucos recursos não se esgotem por descuido.

Também foi incutido neles um senso de “bairrismo”, ou seja, uma preocupação pela proteção e zelo da região onde vivem. Eles entendem e acreditam no seu papel de guerreiros, e que eles devem salvaguardar seu território.

ECONOMIA (E A GUILDA)

Muitos anos depois, com o retorno das civilizações, chegou à região uma organização a qual os Leoninos nunca imaginaram. Chamando-se de a Guilda, estas pessoas representavam comerciantes de várias partes da Criação que estavam ali para fazer negócios (ou obter lucro às custas dos outros).

O primeiro contato foi pacífico (na medida do possível), onde eles declararam aos Leoninos seu intuito de se estabelecer em uma região mais estável, perto da região das Bordermarches, para fazer trocas com as fadas além da Wyld.

Sesus, entretanto, foi extremamente enfático em explicar detalhadamente a região de caca da tribo e das consequências caso a Guilda acarreta-se a fúria delas. Mas ele também entendia que nenhuma civilização conseguiria sobreviver sozinha, e que a Guilda conseguiria prover os Leoninos com recursos impossíveis de serem conseguidos ali. Desta forma, em um acordo formal firmado por Sesus e o representante da Guilda, eles concordaram em manter relações amigáveis.

Os Leoninos lhes forneceriam artigos de caca e outros recursos, e em troca a Guilda forneceria “ferro” e outros materiais industrializados. Suas áreas de caça deveriam ser evitadas (não que houvesse motivos para se embrenhar na selva contaminada) e eles não deveriam, em hipótese alguma, caçar ou prejudicar os próprios Leões da Floresta, seu animal sagrado.

Também não e de se estranhar que os Leoninos abominem a escravidão. Segundo sua filosofia, qualquer pessoa deve se mostrar digna e provar seu valor. A escravidão literalmente ignora a meritocracia.

Mas Sesus não era bobo. Ele também acabou incluindo na cultura local que eles não deveriam confiar plenamente na Guilda. E aceitável fazer negócios com eles, mas nunca se deixe enganar ou ser passado para trás. E além de tudo isso, eles não devem ser complacentes e aceitar que outros costumes ou tecnologias acabem arruinando seu estilo de vida. Eles são guerreiros primeiro, caçadores em segundo e mercadores em terceiro.

Sesus também sabia que seria impossível evitar que a Guilda fizesse negócios com as fadas. Caso ele os enxotasse dali eles poderiam voltar com um exército e gerar um conflito desnecessário, causando muita morte e deixando aquela região desprotegida. A ideia e que eles evitem negócios com as fadas, por questões de segurança. Mas não podem pedir o mesmo dos outros.

Caso seja necessário fazer trocas com pessoal de fora, os Leoninos não aceitam moeda, preferindo fazer escambo. Eles não têm utilidade para uma moeda corrente.

Os produtos mais buscados são ferro (não existe uma cultura ou meios de realizar metalurgia no meio da selva), ferramentas e tecido. Os Leoninos utilizam apenas couro como vestimentas, então o tecido serve mais para o frio, armazenamento e decoração.

Os Leoninos exportam muito carne, couro, e demais produtos naturais não processados. Entretanto, por serem de uma região maculada, possuem características especiais ou são itens encontrados em criaturas mais perigosas. Nada de uma caca e desperdiçado. Além de carne e couro, tripas, ossos, sangue e demais entranhas são utilizadas para manufaturar produtos de sobrevivência básicos.

MILITAR

Não é difícil imaginar que o aspecto militar seja o mais desenvolvido entre os Leoninos. Seus números são poucos, mas as suas habilidades marciais e de caça se adequam as suas necessidades. Não fosse pela invasão recente de Hobgoblins a alguns anos atras, eles nunca estiveram em guerra. Conforme se demonstrou necessário, todas as tribos se uniram para retaliar furiosamente, sob o comando de Simba.

Dado o contexto territorialista da raça, não existem indícios que eles busquem se expandir. Salvo buscar locais para assentar novas famílias, o território e “perigoso” e “inóspito” o suficiente (além da localização geográfica) para dissuadir possíveis “conquistadores”. A cabeça deles está mais preocupada em sobreviver e manter sua família do que gastar tempo caçando sarna para se cocar.

A ordem e mantida pelos machos das tribos, que também atuam como milicia.

RELIGIAO

Os Leoninos não são um povo muito religioso, mas sim bastante práticos e metódicos. Eles possuem vários acordos com os mais diversos deuses que existem na região, mas o seu culto está atrelado a uma relação de mão dupla (ou por necessidade).

Eles veneram todos os deuses das presas que abatem, fazendo preces pela oferta quando a conquistam, evitando também danificar seu ciclo de reprodução ou seu ambiente. Portanto, os maiores aliados deles são os deuses animais. Além disso, e o mais obvio, sua divindade patrona e a dos Leões das Florestas, chamado Lion-o. Outro grande patrono e o deus da selva/floresta/local em que eles habitam e respeitam, chamada Arilak.

  • Vou deixar ao seu critério quais são os detalhes do acordo com todos eles.

Suas tribos estão espalhadas e não possuem uma capital para chamar de sua. Portanto, não existe (ainda) um deus de alguma cidade.

GOVERNO

As tribos se unem em grupos familiares que obedecem a um Leonino alfa, considerado o “prefeito” da vila. Assim como as suas obrigações como macho, e responsabilidade dele garantir a sobrevivência da tribo. Geralmente este papel e desempenhado pelo integrante mais forte, junto de um conselho dos membros mais velhos.

As diferenças pessoais geralmente são resolvidas em combate não letal, onde o lado mais forte e considerado certo. Mas dificilmente chega-se a esse ponto, vez que todos são geralmente parentes e/ou não tem paciência para ficar discutindo assuntos irrelevantes.

Ao estabelecer uma família, o novo membro da sociedade deve construir a própria casa. Ele não será respeitado se não tiver pelo menos um teto decente sobre sua cabeça.

Caso um macho morra (por quaisquer motivos), geralmente e feito um esforço para “juntar” as leoas “viúvas” em outras famílias já estabelecidas. Existe também a opção de se relacionar com os machos ainda em ascensão, tornando-se os pilares daquela família enquanto o macho se esforçar para adquirir seu espaço na sociedade. Caso ele não consiga, suas leoas o abandonarão.

O papel da educação dos filhos cabe a qual gênero ele nasceu. Os machos, por serem mais raros, são imediatamente ensinados pelos pais assim que atingem 12 anos. As fêmeas também ficam encarregadas de treinar suas filhas e procurar eventuais pretendentes para elas.

MUFASA, O JOVEM ASPIRANTE

Mufasa e o caçula de uma família de 15 irmãos e irmãs, todos filhos de um renomado Leonino chamado Simba. Considerado por muitos um dos melhores líderes das últimas gerações, Simba adquiriu o respeito da raça após combater uma “invasão” de Hobgoblins advindos das Bordermarches. Não fosse por seu esforço as tropas inimigas teriam alcançado os vilarejos e consequentemente atacado o Manse sagrado. Porém ele não resistiu ao embate, forçando que suas fêmeas se espalhassem pela sociedade.

Desta forma, depois de tal evento vieram muitos anos de paz para as tribos, o que acabou gerando uma grande sombra sobre os talentos de Mustafa em comparação com seu pai. Por ser também o último da ninhada, havia diversos outros irmãos e irmãs já bem-sucedidos, todos com seus talentos particulares.

Isso acabou transformando a criação de Mustafa, que seguiu crescendo ouvindo falar dos feitos do pai, querendo imita-lo (e superá-lo). Alguns deles fofocavam sobre a posição de seu nascimento, querendo denegri-lo sob o manto da reputação de seu pai, mas fato e que ele se esforço muito para atender as expectativas. Eles não pareciam enxergar Mustafa como alguém diferente de seu pai.

Além do treinamento padrão de caca e sobrevivência, outra coisa muito importante que diferenciava a família era a prática de uma arte marcial especifica, advinda de seu pai, um dos primeiros a desenvolvê-la. Ele adquiriu essas técnicas fora da vila, em uma missão paralela com a guilda, quando ainda jovem (e antes de ter uma família), tornando-o ainda mais eficiente em caçar e perseguir seus adversários. Muitos desconfiaram quando ele se afastou, mas ele fez por merecer ao voltar.

Fato e que, em uma família tão grande e notória, seus talentos acabam entrando na esfera do bom, mas em um nível comum no geral. Mais do que isso, ele também se esforçou para, ao menos, conseguir conversar com a guilda e as outras vilas, e talvez, quem sabe, também fazer fama fora.

Mas seus planos foram frustrados quando as expectativas estavam suplantando seus anos de vida, exigindo demais de um leão em ascensão. As oportunidades eram poucas e as expectativas muitas. Desta forma ele decide fazer algo impensável e extremamente perigoso, adentrar o Manse sagrado e caçar a besta que habita lá dentro. Com isso ele espera afirmar o seu valor.

A Calibração ajudou. Era uma época de recolhimento para toda a tribo, o que deixava o Manse menos vigiado. Decidido a tentar a sorte, ele não avisa ninguém (porque seria proibido) e resolve adentrar.