História
Fundação
“Eu disse não! Vocês escolheram me seguir, seguir meus ideais, então precisam viver de acordo! Sempre! Não quando é conveniente!”
Os caçadores estavam confusos, claramente preocupados, mas Tayná havia se colocado entre eles e a fera, impedindo que avançassem contra o enorme felino. Antes que pudessem chegar a uma solução para o seu dilema, a besta avança contra Tayná, que estava de costas para o animal, e é arremessada para frente com o golpe. Ela se recompõe rapidamente. Não havia tempo para um ritual. Em um instante ela lê o corpo do felino. Cada músculo, as marcas, a respiração, a postura, a pausa no ataque.
“Ela não está com fome, mas está prenha. Não podemos avançar, mas ela vai nos deixar ir. Deixem o medo de vocês emergir e corram, eu vou garantir que ela não vá atrás de vocês. Vão!”
Tayná, mesmo ferida, muda de postura. Agora cada músculo do seu corpo, cada expressão do seu rosto, dizia ‘vou atacar’, mas ela ainda mancava e mostrava incômodo no local em que foi ferida. A fera tentava dar a volta nela para pegar os que estavam fugindo, mas a taumaturga rugia e cercava, impedindo o avanço. Aos poucos a taumaturga ia se afastando e a fera não fazia menção de persegui-la, seria custoso demais e colocaria em risco as crias. Quando estava distante o suficiente, parou de mancar e de simular o incômodo com o ferimento. Não demorou muito para encontrar os demais. Dois homens se adiantam para alcançá-la.
“Tayná! Está bem? Suas costas…”
Por um instante o olhar da mulher mostrava desapontamento, mas logo estava com sua expressão acolhedora novamente. Não era culpa deles.
“Deveriam ter se afastado mais. Ela lutou muito para chegar nesse lugar sem predadores, depois que sua matilha foi atacada. Não precisa do nosso cheiro para deixá-la tensa enquanto estiver parindo suas crias. Tivemos sorte que está quase na hora dos filhotes, se ela não estivesse com as dores, ela teria acabado com vocês e comigo. Porque se afastaram do grupo?” Sua voz transparecia preocupação, não repreensão “Aqui não é nossa casa. Se andarmos por aí, sem pedir permissão, seremos intrusos e a recepção que tiveram não será nada perto do que enfrentarão. Temos que ser visitas agradáveis, ou passar sem sermos notados.” À frente dela o restante da comitiva… não… dos refugiados, começava a aparecer entre as árvores. Poucos haviam escolhido seguir com ela, muitos desistiram quando as coisas começaram a complicar, talvez esses dois desistissem agora também, mas ela não podia se dar ao luxo de ter dúvidas. Não agora. Um dos homens abaixa a cabeça, fazendo menção de falar, ela faz sinal para que levante a cabeça, mas não o interrompe.
“Seguíamos uma presa, senhora. Era pequena, não ia fazer falta. Nós somos caçadores… é o que fazemos. E sentimos falta de comer carne.”
“Toda vida tem sua função e toda vida faz falta. Juntem-se aos outros e vejam de cuidar dos ferimentos, pra ferida não apodrecer.” Ela respira fundo. “Vamos pensar uma forma de vocês poderem comer carne, sem que morram ou acabem com a harmonia da região.”
Quando seu irmão mais velho dividiu a tribo, Tayná viu que as divergências só iriam piorar, e que era desperdício de esforço continuar tentando manter a coesão. A divergência entre os irmãos sempre foi um problema, mas todos obedeciam ao pai, então a tribo se mantia unida. Com a queda do líder, as brigas e discussões, agora não apenas entre os irmãos, mas entre os apoiadores deles, estava colocando em risco a segurança da comunidade como um todo. Tayná não queria trazer mais problemas, então conversando com aqueles que acreditavam na visão de mundo dela, seguiu o exemplo de seu irmão mais velho e foi procurar seu próprio lugar. Desde muito pequena ela buscava uma profunda integração com a vida selvagem, mas não aderindo aos comportamentos dos animais, e sim garantido que a forma de vida dos habitantes fosse harmônica com a dos animais e plantas que os cercavam. Ela tinha um apreço pela vida que os outros irmãos, e seus pais antes deles, não compreendiam, nem apoiavam, forçando-a a ter que soterrar, por anos, a dor de ter que lidar com inúmeras mortes desnecessárias. Apenas aqueles que acreditavam ser possível coexistir com a natureza, de maneira a preservar o modo de vida dos demais seres da floresta, acompanharam Tayná em sua jornada.
O grupo que inicialmente tinha pouco mais de 150 pessoas, quando chegou onde é hoje o centro da Vila, entre vidas perdidas e aqueles que retornaram para os ramos de seu irmão mais velho e para o ramo principal, mal chegava a 40 pessoas no total, incluindo Tayná. Sob a tutela dela, que na tribo principal era a que mais entendia sobre a vida na selva, eles aprenderam a encontrar comida, matéria prima e abrigo, sempre com o mínimo de interferência possível. Não demorou muito para que Tayná encontrasse um ponto na floresta que não era domínio de nenhum predador maior, e para que construíssem casas nas árvores para evitar os que passassem procurando caça.
Ideais
A filosofia do Ciclo Infinito tem relação com o ciclo da matéria na natureza, em que uma coisa dá origem ou alimenta outra. É a fruta que alimenta o pequeno animal, que alimenta o animal maior, que quando morre seu corpo decompõe e vira alimento para a mesma planta que fornece os frutos para os pequenos animais. Nesta ideia nenhuma parte da natureza é irrelevante, ou dispensável, para manter o equilíbrio do ambiente que acolheu o Primeiro Grupo quando chegaram na região. Tayná fez questão de garantir que a presença humana na região fosse o mais imperceptível possível e, por isso, a tribo produz boa parte de seu alimento e coleta na natureza apenas uma pequena parte para ter uma variedade alimentar maior, mas o faz deixando abundância para os animais e para a própria reprodução das plantas.
Essa mesma lógica se aplica aos materiais para produção de roupas, utensílios, e tudo que a vila utiliza. Materiais que necessitam de dureza, como ferramentas e armas, são feitas em Ironwood a partir de galhos caídos ou podados, mas nunca retirando mais de um galho de uma mesma árvore. Por conta de todo esse cuidado, os utensílios da vila são muito bem feitos, e muito bem cuidados, passando de uma geração para outra por décadas.
Por conta da necessidade de otimizar o uso dos recursos que a vila usa, e também por conta da pouca quantidade de pessoas, se desenvolveu uma cultura de excelência e polivalência. Todas as pessoas na vila são instruídas desde a infância em artesanato, a sobreviver na selva, nos rituais aos deuses e em combate. A sociedade também valoriza muito a vontade do membro em realizar uma tarefa, além da facilidade que a pessoa tem de realizar uma atividade. Como todas as atividades são igualmente importantes, assim como cada vida e elementos na natureza é importante, os membros da comunidade estão livres de preconceitos para escolher qualquer tarefa ou atividade como aquela que se dedicarão com mais afinco. Esta abordagem garante que cada pessoa esteja o mais comprometida possível com a tarefa que está fazendo, e esteja mais feliz também.
Objetivos
O grande objetivo da comunidade é criar uma relação de protocooperação com cada ser, seja vegetal, animal, ou deus, que exista na floresta. Esta visão, portanto, tem por meta a integração com a natureza, sem abrir mão de ter sua própria cultura e modo de vida e demanda um grande conhecimento não apenas das espécies individualmente, mas também de como elas se relacionam, para então conseguir pensar em como se inserir nessa dinâmica sem anular as dinâmicas existentes. Nestes séculos de existência, a vila tem essa relação apenas com um pequeno número entidades e espécies, no entanto é uma comunidade focada em excelência, e não tem pressa para atingir isso.
Governo
Tomada de Decisão
“São eles, vê? Eles estão derrubando tudo para pegar aquelas árvores de ironwood. Derrubam para avançar e largam o que não querem para trás!”
Tayná estava desolada e não conseguiu conter as lágrimas quando viu a clareira aberta desde a margem do rio e a quantidade de árvores, outras plantas, e até animais, espalhados pelo chão. Não eram muitos os homens que destruíam a floresta: um acampamento com menos de 60 pessoas. Aimberê comandava o grupo de Tayná, pois ele era o mais experiente em combate, e ele ordenou o recuo do grupo para que pudesse deliberar. Eram apenas 15, sendo que todos eram guerreiros competentes, ainda assim poderiam haver baixas e era necessário que todos estivessem cientes dos riscos. Assim que todos estavam reunidos, Aimberê toma a palavra e fala primeiro, por ser o líder.
“Diante de nós há inimigos da Criação. Pessoas que destruirão tudo em seu caminho para conseguirem o que buscam. Se não fizermos nada, logo o Ciclo Infinito será afetado de modo irreversível. Eu tentei conversar com eles e explicar que o que fazem é errado e quais as consequências, mas eles riram de mim e logo em seguida me atacaram. Quase não consegui voltar vivo. Eles precisam ser parados e a força é a única linguagem que irão entender.”
Outro membro do grupo diz.
“Por mais que eu não goste dessa ideia, não creio que exista outra solução possível. No entanto, qualquer um que se renda, ou fuja, deveria ser poupado.”
Aimberê faz menção de falar, mas ele se contém, lembrando que terá sua vez novamente. Então Tayná fala.
“Nenhum sangue desnecessário deve ser derramado. Apenas aqueles que estiverem armados devem ser atacados e concordo com o companheiro quando diz que aqueles que fugirem, ou se renderem, devem ser poupados. Além disso, nossas rondas deverão englobar também o rio, de agora em diante, para garantir que não se estabeleça novamente na região.”
Vendo que mais ninguém se manifestou, Aimberê então toma a palavra novamente.
“Deixar que saiam vivos daqui é pedir para que voltem com reforços e nos deem trabalho no futuro. É melhor que eliminemos todos agora.”
O homem que falou antes de Tayná toma a palavra novamente.
“Se eliminarmos todos, além da violência desnecessária contra pessoas que talvez apenas não tenham compreensão de suas ações, e nem outras opções de sustento, também faremos com que quem os mandou não saiba o que houve e insista em trazer mais pessoas para cá. Se deixarmos que voltem, o próprio testemunho deles servirá de apoio para que não enviem novas ondas.”
Tayná apenas concorda com a cabeça, e os demais também. Aimberê, contrariado, também concorda sabendo que é a decisão da maioria.
O ataque foi rápido, mas infelizmente eles não estavam dispostos a se render. Dois terços do acampamento foi morto em poucos minutos, sem nenhuma baixa do lado atacante. O restante do acampamento fugiu apenas com a roupa do corpo e os barcos. A vila deu uso a cada item pilhado do acampamento e colocou no Ciclo tudo que pode. O Conselho estava certo e não voltaram a tentar se instalar na região, mas as rondas se mantêm para garantir que não tentem.”
Sistema legal
Não existe um sistema legal institucionalizado, todas as regras de conduta são estabelecidas entre as partes envolvidas. Se uma regra de conduta afeta apenas um grupo de trabalho, são seus membros quem as define e as muda de acordo com as necessidades. Se uma regra afeta toda a comunidade, todos são convidados a participar das discussões, e apenas quando todos estiverem de acordo, uma nova regra é criada. Esses processos podem levar meses, ou até anos. Apenas as questões mais essenciais de cada grupo são definidas em regras, mas dada a participação de todos os envolvidos, e o tempo que se leva para se chegar a um acordo, as regras são levadas muito a sério por todos. Inclusive, muito mais a sério que a maioria das sociedades encara suas leis.
Sistema Penal
Independentemente da regra estabelecida, não existem punições definidas de antemão para quem as transgride, pois a sociedade não acredita que existam dois eventos iguais e cada caso deve ser observado separadamente com todos os envolvidos. Uma pessoa que infringe uma regra, independentemente de qual, é levada aos Mediadores para iniciar o processo de Restauração. Este processo consiste de uma série de reuniões com as pessoas envolvidas no conflito em questão, dando amplo espaço para debate e apresentação de argumentos. Um processo de Restauração nunca é mais curto que uma semana, podendo levar meses, e as pessoas envolvidas no processo são afastadas de suas funções para que possam se dedicar totalmente ao trabalho de encontrar uma forma de recuperar a confiança entre as partes envolvidas. No caso de alguém que quebre alguma das regras essenciais da sociedade, para que a sociedade como um todo não pare, cada grupo organizado elege um representante para falar pelos que continuarão trabalhando. Todos os envolvidos podem trazer testemunhas de seus argumentos que participarão de todo o processo. Além disso, outras pessoas podem ser chamadas a dar depoimentos pontuais, sendo liberadas assim que encerram sua participação. A grande maioria das Restaurações envolvem grupos de trabalho apenas, tendo havido apenas um evento, durante toda a história, em que todas as pessoas da vila participaram ativamente de uma Restauração, que foi o caso de um assassinato dentro da Vila, uma quebra de uma regra essencial da vila como um todo. O homem responsável pelo assassinato, após sete meses de reuniões, de comum acordo, como é essencial nesse processo, ficou responsável tanto por partos quanto pela educação das crianças. O primeiro parto que ele realizou foi o do filho do homem que ele matou.
Sistema de Cuidado
O cuidado com as pessoas na Vila do Ciclo Infinito não é diferente da visão que a vila tem sobre a relação com a natureza: todos são responsáveis por cada vida dentro da vila. Sendo assim, por mais que a Vila não ignore as relações parentais, não é dever dos pais cuidar das crianças, nem dever dos filhos cuidar dos idosos. Toda a sociedade deve cuidar da saúde, aprendizagem e lazer de todos que habitam na vila. Dado a questão de excelência, naturalmente, há pessoas que dedicam suas vidas a esta função tornando-se médicos, professores, coletores e contadores de histórias, cuidadores de crianças e idosos, pessoas que cuidam da limpeza e organização da vila, etc. Esta forma de organização libera as pessoas para fazerem aquilo que elas realmente querem e gostam de fazer, deixando as pessoas que realmente querem e gostam de cuidar responsáveis por essas tarefas.
Egrégora
É a reunião que se dá para tomar decisões que não são nem estabelecimento de regras nem para definir o que fazer com alguém que rompeu uma regra. Estas reuniões sempre envolvem toda a tribo e são para que seja discutida uma mudança na essência das práticas da tribo. Seria o equivalente de mexer na constituição de um país, alterar o cerne do que se constitui como vital em direitos, deveres, e objetivos.
É necessário que ao menos metade dos mediadores considere necessário uma Egrégora para que se inicie uma, e ela só termina quando todas as questões tiverem sido extensamente debatidas e todas as pessoas da tribo estiverem de acordo que é satisfatório. Uma Egrégora pode levar anos para se concluir e apenas duas vezes foi evocada:
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A primeira foi para definir como a tribo lidaria com as crianças. Nesta foi definida qual seria a idade de maturidade das crianças, ou seja, a partir de que idade passariam a ter responsabilidades na vila, como seria a educação delas, quem seria responsável por cuidar delas e também como se daria a taxa de natalidade da tribo.
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A segunda foi para definir as funções sociais e áreas de atuação de cada uma. Nesta foi definida as funções de Mediadores, Semeadores, Guardiões e Germinadores.
Funções Sociais
Mediadores
Responsáveis por guardar os registros da tribo, facilitar a resolução de conflitos e tratar com os deuses.
Semeadores
Cuidam de levar itens feitos na tribo para outras comunidades bem como trazer novas tecnologias para serem estudados na vila. São os únicos que saem da área da Vila e é uma grande honra servir nessa função.
Guardiões
São os protetores da vila, guerreiros altamente treinados que são divididos em dois grupos. Guardiões das Sementes, que guardam as fronteiras e fazem as escoltas dos semeadores, e os Guardiões do Tronco, que protegem os arredores e a própria vila.
Germinadores
São aqueles que exercem todos os outros ofícios que desenvolvem a vila. Artesãos, agricultores, médicos, e também tutores de todas as funções.
Cultura
Religião
Há uma relação de profundo respeito dos habitantes da vila em relação a todos os deuses, com cada ação sendo um pequeno ritual de respeito ao deus em questão. Seja a forma ritualística e respeitosa que se colhem as frutas de uma árvore, seja no cuidado ao se mover pelos galhos das árvores, ou mesmo ao pedir permissão aos animais para adentrar seu território. Mas existem quatro deuses que movem a vila como um todo e portanto recebem muito mais atenção de todos. As pessoas da vila não pedem nada aos deuses, pois não acreditam que a relação deva ser de súplica, mas sim de troca. Deste modo, as pessoas da vila apenas pedem licença ou, quando consideram que foram especialmente abençoadas, fazem oferendas de agradecimento. A grande relação entre os deuses e as pessoas é que um fornece ao outro o que precisa e essa relação, mutuamente benéfica, fortalece a relação entre os deuses e a cidade.
Os Cinco deuses principais são:
Deus do Artesanato Vivo
Deus da criatividade, do artesanato, e do aperfeiçoamento.
Este deus surge da crença das pessoas da Vila na viabilidade de criar itens que estejam alinhados com as necessidades da natureza, e não apenas com as da comunidade humana que vai utilizá-los. Esta tende a ser uma visão de projeto a longo prazo e abrangente, tendo em vista que é necessário pensar o impacto ecológico que o material coletado terá no ambiente, que os refugos do processo de produção irão gerar, no impacto que o uso da ferramenta ou produto gerará, bem como o impacto que o descarte, ao fim do tempo de uso, terá. Por conta disso, ele tende a ser uma entidade paciente e calma, e aprecia também os artesãos que compartilham desta característica.
Dado a relevância que este aspecto tem para os membros da Vila, rapidamente ele se torna um dos principais deuses logo após sua primeira manifestação.
Motivação
Tornar a produção de itens e construções alinhadas com as necessidades da natureza a forma principal de produção na região das vilas.
Intimacies
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Desenvolver a Vila do Ciclo Infinito.
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Amizade com a Deusa do Fluir
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Amizade com o Deus do Nutrir
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Respeito pelo Deus da Terra do Ciclo Infinito
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Respeito pelo Guardião do Ciclo Infinito
Mutualismo com a Tribo
Recebe
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Preces de todos os artesãos da vila, durante todo o processo de criação, bem como todas as pessoas que usam os itens antes e depois de usar.
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Oferendas dos artesãos que entregam todos os itens feitos em busca de aperfeiçoamento, em rituais elaborados especificamente para este propósito, como agradecimento pelo aprendizado.
Oferece
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Artefatos feitos na vila duram muito mais tempo, graças às bênçãos do Deus do Artefato Vivo . Tecidos demoram mais para desgastar, metais demoram mais para enferrujar, madeira demora mais para ser afetada pelo tempo. Além disso, pequenas pragas, como cupins e fungos, também são mais raros. Efetivamente, um item feito na Vila pode durar até três vezes mais que itens normais de mesma qualidade. Isso não confere nenhuma capacidade mágica de resistência e um item que seja deixado sem cuidado ainda sofrerá os efeitos do tempo, apenas mais lentamente.
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Ele costuma inspirar artífices que estão trabalhando em projetos que ele acha interessante, principalmente projetos que consideram natureza viva em sua composição.
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Costuma chamar atenção para pontos que precisam de melhora nos projetos, mas sem dar informação de como, apenas para ver como o artesão irá solucionar o problema.
Deus do Nutrir do Ciclo Infinito
Deus do solo, da plantação, da morte e da vida que vem dela.
Deusa do Fluir do Ciclo Infinito
Deusa da troca com outros povos, do rio da vila, da irrigação e da cura.
Guardião do Ciclo Infinito
Deus de todos os aspectos da proteção, do combate e do silêncio.
Deus da Terra do Ciclo Infinito
Principal deus da Vila do Ciclo Infinito. Deus de todos os aspectos da integração, do abrigo, da sabedoria, do cuidado e do próprio Ciclo Infinito. Foi o primeiro Deus que estabeleceu uma relação de protocooperação com a vila. A própria fundadora estabelece essa conexão, pouco antes de sua morte.
Durante a calibração é realizado um grande festival de celebração da vida que persistiu por mais um ano. Todas as pessoas comemoram “calibrações de vida”, e não aniversários em suas datas de nascimento. Durante estas festas, tanto os quatro deuses principais, quanto algum menor que se sinta mais agradecido, vem até a vila e deixam presentes em agradecimento às pessoas que os ajudaram. Raramente um dos deuses principais aparece com seu avatar e entrega pessoalmente algum presente. Isso é considerado extremamente auspicioso e a pessoa tende a guardar esse item consigo pelo resto da vida e pelas gerações seguintes.
Arte
A arte na vila tende a ser muito mais performática, com danças, peças de teatro, poesia, música e outras formas de expressão que não tem tanta necessidade de novas matérias primas para se concretizarem. Muito por isso, os contadores de história, chamados de Polinizadores, são essenciais dado que a maior parte dos registros históricos são passados oralmente. Polinizadores não apenas contam as histórias com sua voz. Eles sempre tem elementos visuais como bonecos articulados, dançarinos ou teatro de sombras, mas sempre há algo para ilustrar a história contada.
Apesar de não serem afeitos às artes plásticas, os utensílios do dia a dia, como talheres, pratos, panelas, ferramentas, roupas, corrimãos, portas, armas, etc, em outras culturas poderiam tranquilamente ser considerados obras de arte. Existe uma dedicação considerável a cada item produzido para o uso da vila, que normalmente são feitos para durar gerações, toda a expressão artística dos escultores, tecelões, artífices, se apresenta nessas peças. Apesar de incrivelmente bem trabalhadas, comumente apresentando cenas inteiras de episódios da vida do criador da peça, ou de algum evento que ele considere importante, raramente estas peças apresentam pedras preciosas, pois a sociedade abomina a ideia de destruir o solo para extrair algum tipo de pedra específica. No entanto, pedras achadas na floresta que tenham algum significado para o artesão, ou que sejam presentes de deuses, enfeitam estas criações com muito mais reverência que uma pedra preciosa.
Conhecimento
Há dois tipos de conhecimento para os habitantes da Vila do Ciclo Infinito. O primeiro é o conhecimento da história da sociedade e de seus cidadãos. Este conhecimento é majoritariamente oral, para que se mantenha vivo e se atualizando com tempo, visto que, por exemplo, um grande herói de uma época, pode deixar de ser quando a sociedade muda. Apenas alguns eventos muito importantes, que perduram nas histórias por décadas, são considerados como fundantes e portanto merecedores de serem registrados em um material que resistirá à própria extinção da tribo. Esses registros são feitos em finas placas de ironwood, entalhadas cuidadosamente e depois endurecidas por rituais de taumaturgia e ficam sob os cuidados dos Mediadores. O segundo tipo de conhecimento é o de técnicas, projetos e receitas. Este é sempre registrado, porém em material que pode ser usado para retornar ao ciclo posteriormente. Este conhecimento não é registrado em material permanente, pois é um conhecimento em constante aprimoramento e sempre que alguma forma melhor de realizar uma tarefa se estabelece, ela é registrada e a outra volta para o ciclo. A busca incessante por aprimoramento garante que essa atualização ocorra com razoável frequência, mas não sem que antes os mestres das áreas envolvidas corroborem que aquela forma é realmente mais eficiente tanto em facilidade de execução, quanto em uso de material e integração com a natureza.
Comércio
Não existe comércio internamente na Vila, pois as pessoas recebem qualquer coisa que precisem e têm acesso ao que desejam. Como existe uma cultura que não valoriza o luxo e sim a capacidade de se viver bem com o mínimo necessário, evitando ao máximo o desperdício de recursos naturais, não existe a cultura de consumo e sim de acesso. Quando uma pessoa vai desempenhar uma função, ela recebe todas as ferramentas necessárias para realizar aquela tarefa, mas quando deixa aquela função, as ferramentas retornam para o grupo para serem disponibilizadas para aqueles que forem ficar em seu lugar. Qualquer item que não seja de uso diário e constante, em vez de ficar parado em uma casa, é pego do centro dos Germinadores, que são os mestres artesãos da Vila.
Há, porém, comércio com vilas vizinhas. Este comércio é feito apenas sob demanda e com prazos consideráveis para entrega, geralmente um ano, e a vila usa esse comércio como uma forma de espalhar para o mundo o desenvolvimento produtivo deles, bem como trazer itens de fora para trazer novas ideias aos artesãos. A tribo em si não depende desse comércio, mas faz questão de mantê-lo para não ficar parada no tempo e ensimesmada. É importante saber o que o mundo produz até mesmo para saber como se proteger e o que eles estão buscando em recursos naturais, para assim proteger o meio ambiente de forma mais eficiente e bem direcionada. O grupo responsável por esse comércio é chamado de Semeadores, e é uma grande honra fazer parte dele. Somente os mais fortes guerreiros, os mais hábeis negociadores e, acima de tudo, os mais respeitados membros da sociedade, no que se refere ao quanto eles representam os ideais da sociedade, recebem a honra de levar o nome da vila aos outros vilarejos. A seleção dos semeadores acontece uma vez por ano, levando em consideração a contribuição de cada indivíduo para a comunidade durante aquele ano. A deliberação final dos Mediadores leva por volta de 12 dias e o planejamento do prazo final dessa deliberação é para que o grupo possa estar de volta à Vila uma semana antes da Calibração, após ter visitado as 5 vilas descendentes da vila original.
Relações e Afetos
A tribo tem uma cultura não monogâmica, o que não quer dizer que sejam poligâmicos, ou seja, que há famílias com vários parceiros, e sim que a relação entre as pessoas não têm relação com o conceito de família nuclear. A única relação de sangue que a tribo dá alguma importância é a de primeiro grau (pais, irmãos e filhos), ou seja, mesmo os que seriam avós, tios e primos, não são considerados diferentes de outros membros da tribo. A ligação de primeiro grau ainda é lembrada, pois ajuda a identificar propensões a algumas enfermidades, bem como para evitar que estas pessoas tenham filhos entre si sem saber, mas apenas por isso, sendo comum que pessoas com laços de primeiro grau não tenham relações entre si.
Durante a segunda Egrégora, que teve início por uma reivindicação de uma mulher que era uma das principais semeadoras e, ao ter filho, seria privada de continuar suas atividades, diversos temas foram surgindo e sendo negociados, ao fim da Egrégora, toda lógica familiar que fora trazida da antiga tribo foi abolida e outra nova foi adotada.
As principais diferenças são as seguintes:
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Não monogamia: A Vila do Ciclo infinito é uma sociedade em que não há conceito de parceria sexual institucionalmente fixa. As relações são absolutamente livres e fluídas, como a própria Deusa do Fluir, mudando de acordo com o momento das pessoas. Algumas pessoas escolhem nunca ter um parceiro, apesar de isso não impedir que tenha relações sexuais, outros escolhem ter um único parceiro para toda vida, outros mudam ao longo do tempo, Não há qualquer padrão na forma em que as pessoas se relacionam. A tribo percebeu que a monogamia era algo criado para controle da hereditariedade e, por tanto, em uma sociedade sem hereditariedade esta convenção era desnecessária. Sem a relação com a parceria para procriação, com o tempo as pessoas foram se despindo da sexualidade imposta e descobrindo sua própria, hoje não existe qualquer tabu em relação à sexualidade ou como cada pessoa se expressa.
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Controle de Natalidade: Antevendo o caminho que a liberdade sexual seguiria no crescimento populacional, e sabendo do impacto que isso poderia trazer para a região em consumo de recursos, a tribo decidiu instituir um rígido controle de natalidade. Para que duas pessoas tenham um filho, é necessário antes analisar se a sociedade comporta mais uma criança, análise esta que é feita pelos Germinadores, analisando cada recurso produzido atualmente tanto pela tribo quanto pela floresta ao redor, e só então dando o parecer se é possível ou não. Da mesma forma, se a tribo necessita de mais pessoas, os Germinadores informam isso no último dia da calibração para que todos estejam no mesmo lugar e sejam informados ao mesmo tempo, caso queiram se oferecer. Esta segunda opção é a mais frequente, visto que a maioria das pessoas opta por se dedicar a aprimorar suas habilidades.
O controle de natalidade é feito pelo uso de elixires alquímicos, tanto por homens quanto por mulheres, que os deixam temporariamente inférteis, sendo necessário que fiquem algum tempo sem ingerir o elixir para que possam voltar a ser férteis. -
Acompanhamento da Gestação: Durante a gestação, os pais cessam suas atividades e se dedicam apenas a cuidar desse processo. É considerada uma grande honra trazer uma vida a terra e algo de grande responsabilidade também. Ao homem cabe fazer as tarefas necessárias à mulher, mas que poderiam colocá-la, ou à criança, em risco, mas fora isso, a vida dos dois segue normalmente e muitos sequer ficam na mesma casa. É comum que homens queiram aprender medicina a fim de ajudarem durante o trabalho de parto, e não é raro que alguns mudem para esta profissão após a experiência. Os Germinadores acompanham de perto também a gestação, fazendo exames frequentes, sendo também eles os responsáveis finais por cuidar do parto.
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Educação das Crianças: Falta escrever
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Maioridade: Falta escrever
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Transmissão de Conhecimento: Falta Escrever
Militar
Exército
A Vila do Ciclo infinito é tudo menos um assentamento belicista, mas apesar disso, eles entendem, por experiências anteriores, que é essencial a capacidade de se defender e defender aquilo que acreditam. Cerca de um terço da população da tribo, aproximadamente 250 pessoas, é de guerreiros treinados e dedicados exclusivamente à proteção da Vila. É o maior grupo na vila, principalmente quando se leva em conta a idade, já que é um grupo formado por pessoas mais jovens, com idades variando entre 15 e 45 anos, para os . Apesar disso, todos os habitantes são treinados no básico do combate para poder se proteger em caso de necessidade, criando uma força de reserva considerável. Como o conhecimento da floresta restringe a capacidade de combate, esses guerreiros altamente treinados em sobrevivência na floresta, são muito superiores aos invasores.
Defesas naturais
A vila é construída em cima das árvores, com a base das construções aproximadamente 30 metros acima do solo, com copas de árvores inteiras crescendo sob as bases da cidade. Durante os séculos, os construtores da vila direcionaram o crescimento dos galhos das árvores para garantir que fosse impossível ver a cidade olhando do solo, mas os galhos permitissem a movimentação dos habitantes, tanto para se deslocar entre as construções, e a região, quanto para garantir que os defensores da cidade pudessem observar o que acontece abaixo sem serem vistos. Por conta da proteção dos habitantes da vila, a floresta é consideravelmente mais densa nessa região, tornando muito difícil a movimentação de tropas pelo solo. As altas copas acima da vila, cerca de 10 metros acima da base, ajudam a disfarçar a presença da vila pela vista superior, o restante do trabalho é feito por um intrincado trabalho de camuflagem dos telhados e passarelas, bem como pela própria escolha de tons de roupa e pinturas corporais das pessoas. Este conjunto faz com que apenas alguém que esteja ativamente procurando pela vila consiga encontrá-la, mas para esses casos existem os
Defesas da cidade
Falta Escrever
Treinamento
O treinamento militar da tribo se iniciou com Sesus Rafara, mas Tayná, sua companheira, fazia questão que ele não usasse nenhum poder de exaltado durante os treinamentos, para que os membros da tribo evoluíssem por seu próprio mérito.
Grupos Importantes
Semeadores
Responsáveis pelo comércio e contato com as outras vilas descendentes de Yamato.
Mediadores
Responsáveis pela resolução de conflitos internos, bem como auxiliam na definição de qualquer regras internas aos grupos de trabalho ou da sociedade como um todo. São responsáveis também por guardar o conhecimento da sociedade.
Guardiões da Terra do Ciclo Infinito
Guardiões das Sementes
Guardiões do Tronco
Germinadores
São os artesãos, taumaturgos, e demais trabalhadores que cuidam da manutenção da vida na vila, incluindo médicos, agricultores, coletores e cuidadores.
Taumaturgos
São um total de 6 Mestres Taumaturgos na vila. Três especializados em Enchantment, dois em Husbandry e um em Warding. A vila possui outras pessoas com alguns procedimentos dessas artes, mas apenas eles dominam todos os procedimentos delas.
Personagens Importantes
Humanos
Tayná
Fundadora da Tribo
Sesus Rafara
Companheiro de Tayná e Exalação anterior do Ubiraci
Raoni Sólido Como a Água
Líder dos Guardiões das Sementes
Ubirajara Lança Voadora
líder dos Guardiões do Tronco
Niara Som do Silêncio
Amiga de Ubiraci
Cauê Cadência da Paz
Pai de Ubiraci
Ecoema Morte Gentil
Mãe de Ubiraci
Animais
Penas de Mil Cortes
Strix companion do Ubiraci
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