A história do culto começa 1 século atrás, no ano de 532, com um astrólogo fracassado chamado Vax. Durante uma viagem alucinante de drogas ele se aventurou pelas ruínas de Chiaroscuro.
E dessa viagem ele voltou diferente.
Vax havia recebido uma visão durante sua meditação sagrada e alucinógena. Era a visão de um mundo doente e corrompido, onde os gananciosos e os depravados controlavam as massas com selvageria e medo. Uma luz brilhou selvagem e semi-coerente dentro de sua cabeça, e ele falava incessantemente da visão que recebera durante sua meditação sagrada e viciada em drogas. Era a visão de um mundo doente e corrompido, onde os gananciosos e os depravados controlavam as massas com selvageria e medo.
Mas lutando contra esta Criação deteriorada e corrupta surgiram herois justos, The Shining Ones, que derrubaram as forças da decadência e do controle e ergueram um reino sagrado de luz. Um reino onde o povo comum não trabalhava para senhores corruptos, mas para seu próprio futuro.
Mesmo com palavras inspiradoras e discursos acalorados, poucos escutaram sua mensagem. Mas alguns ouviram. Ele conseguiu agarinhar um grupo de seguidores fervorosos que o seguiam enquanto ele anotava suas visões e previsões em parábolas e sermões.
Por meses, Vax e seus seguidores vagavam pelas ruas de Chiaroscuro, tentando converter mais fieis ao culto que levaria à salvação da Criação. Mas aquilo era muito pouco, ele percebeu que precisava alcançar mais pessoas.
Seu grupo saiu de Chiroscuro, rumo ao Leste. Enquanto passava pelas fazendas nos arredores de Chiaroscuro eles receberam mais um membro. Shen Aru, um jovem escravo que havia fugido da servidão de um dragon-blooded. Vax o acolheu e cuidou como um filho, se tornando seu principal acólito.
Shen Aru guiou o culto pelas montanhas do Sul. Shen Aru que traduziu os delírios de Vax para as comunidades locais. Shen Aru que guiava espiritualmente o culto durante suas viagens alucinógenas. Shen Aru que doou o pouco que tinha para quem tinha um pouco menos. Um santo entre os mortais, São Shen Aru.
Eles se assentaram em uma vila chamada Ratachul, perto de Yane. Em RY 554 Vax faleceu após uma overdose de bright morning. Não antes de proclamar diante de todos a sua profecia mais alucinante e sem sentido. Quem estava presente jurou que ele emanava uma luz esverdeada dos olhos e boca, outros falaram que ele flutuou alguns segundos no ar enquanto falava e talvez ele tenha falado em uma voz estranha e duplicada, como se estivesse possuída. A verdade é que todos ali também estavam sob efeito de alucinógenos.
Aquele evento ficou conhecido anos mais tarde como a Grande Proclamação. Shen Aru conseguiu dar significado àquilo tudo, compilando em 7 preceitos que foram disseminados entre os fieis.
Mais tarde esses preceitos foram distorcidos e modificados pelos siderais.
Depois desse evento a vila foi renomeada Vision of Light, a tumba de Vax virou um território sagrado e a palavra da luz passou a chegar em mais lugares. Um ano depois já contavam com mais de duas centenas de seguidores fervorosos.
Shen Aru quis continuar a jornada de seu mestre. Treinou clérigos e missionários nos caminhos confusos e contraditórios do culto e os mandou pelo Sul. O próprio Shen começou a peregrinar com alguns poucos acólitos para espalhar a palavra da luz.
RY 565
E em uma de suas viagens psicodélicas ele próprio teve uma visão. Sua visão era de um futuro, ou passado, em que a luz reinava. Era glorioso, todos os seres vivos viviam bem e em harmonia. Era o auge da glória da Criação. Tudo por causa dos escolhidos do Sol. No final de sua visão o próprio Sol descia até onde ele estava e dizia que ele tinha uma missão a cumprir.
Quando abriu os olhos ele mesmo viu seu corpo emanando uma luz solar. Acima da sua cabeça estava um globo ardente de fogo e luz. Em sua testa havia um sol projetado.
Isso era a maior validação de que eram abençoados. Seu grande messias e santo, Shen Aru, havia recebido a benção do Unconquered Sun. O fanatismo religioso era palpável. Mais uma vez a palavra da luz se espalhou para as cidades mais próximas.
Infelizmente os rumores se espalharam rápido demais.
Um ataque da Ordem Imaculada devastou o acampamento que estava apenas alguns meses depois. Não mais do que meia dúzia conseguiram fugir com vida. Felizmente, um deles foi o próprio Shen Aru. Auxiliado por um Sideral.
Por sorte estava próximo de um Gateway e o Sideral conseguiu tirar o Solar dali. Ele o levou para Great Forks, onde poderia ser protegido com mais facilidade.

Ali que Shen Aru se viu e se entendeu como Solar de verdade. Conviveu com outros deuses, elementais e outros espíritos. E também lá que conheceu aquela que vivia a ser sua guardiã. Dalila, a deusa das Histórias de Fogueiras. Ela também representa a música e a dança ao redor das fogueiras. Ela que foi responsável por seu treinamento espiritual, físico e mental.
Por mais que Great Forks seja uma cidade que não segue oficialmente a Ordem Imaculada. Há templos imaculados ali, então ele teve que se esconder. Ao mesmo tempo sentia uma urgência em espalhar a palavra do culto. Porém nem todos compartilhavam da mesma visão que ele tinha sobre sua exaltação. Na verdade, poucos sequer gostam de falar sobre exaltações solares.
RY 566
Ainda assim, com esforço, ele conseguiu construir um templo para cultuar o Unconquered Sun. E proclamava adoração ao Sol pela cidade. Depois de alguns meses um elemental começou a fazer parte do culto. Um garda bird chamado Naezra, que virou um devoto fervoroso.
Naezra rapidamente se tornou um sacerdote do culto e muito amigo de Shen Aru.

RY 580
Porém, depois de algum tempo, o elemental começou a ter uma visão de coisas ruins enquanto estava meditando com suas drogas. Presságios de que um evento ruim poderia ser o fim do culto dos iluminados, ou que alguém iria traí-los, ou que haviam espiões imaculados dentro do culto. Ele expressava suas preocupações para seu amigo, mas ele dizia que era apenas paranoia do elemental, mas que se tivesse alguém ali que os enganaria, eles iriam achá-lo.
Conforme os meses foram passando sua paranoia aumentava, junto com sua angústia. Chegou a um ponto que ele não aguentou mais, teve que fazer alguma coisa. Começou a deixar iscas que o levariam a capturar o possível espião. Uma coisa aqui, outra ali. E ele percebia que o espião estava mordendo suas iscas, e continuou.
Até chegar em um momento que ele armou uma emboscada para finalmente pegar o espião. Ele seria levado para fora da cidade e a Ordem Imaculada iria dar fim nele, achando que seria apenas um cultuador de Anathemas ou um infernalista.
Porém, no dia e na hora que seria feita a armadilha, algo o deixou inquieto. Alguma coisa estava errada. Ele sentia no fundo do seu peito. Foi correndo até o local e, ao longe, viu seu amigo, Shen Aru junto com Dalila. Exatamente onde deveria estar o espião.
Ele só conseguiu dar um grito de aviso antes que os monges imaculados saíssem de seus esconderijos e atacassem o solar.
Esse grito de aviso foi o suficiente para que ele pudesse reagir quando a luta começou. O garda bird entrou na luta enquanto tentava entender o porquê de seu amigo estar ali e não o espião.
A luta foi longa e sangrenta. Os monges estavam preparados para um Anathema, mas uma deusa e um elemental adicional desbalancearam as coisas. Por outro lado os 3 estavam em desvantagem numérica e quase desarmados. Por fim, os monges foram mortos, mas Shen Aru recebeu um golpe fatal no peito. Estava morrendo.
O elemental só teve tempo de perguntar o motivo dele estar ali. Shen Aru puxou um papel do bolso. Disse que viu o bilhete do amigo, reconheceu sua letra e veio até onde havia solicitado. Naezra percebeu que não havia espião algum, suas alucinações mexeram com sua cabeça e o deixou paranoico.
Mais tarde Dalila confidenciou ao elemental que Shen Aru havia recebido visões de que sua morte seria causada por alguém próximo, e que isso poderia ser o fim do culto. Ela disse que o solar não acreditava que alguém ali poderia matá-lo e se recusava a discutir o assunto.
Shen Aru, com suas últimas forças, fez Naezra jurar que continuaria espalhando a palavra do sol. Independente do que acontecesse, o culto aos Iluminados tinha que sobreviver.
RY581
Com a morte do principal líder, os siderais da Gold Faction se reuniram com alguns deuses celestes e terrestres para decidirem o que fazer. Seria possível dar prosseguimento ao culto e eles poderiam fazer com que os fieis protegessem os solares recém exaltados. Não deveriam deixar aquilo se desfazer.
Esses siderais continuaram a palavra de Vax e Shen Aru. Levando para lugares que os mortais tinham dificuldade. Espalhando pela Criação, como uma semente de girassol sendo plantada nos confins do mundo. Ao redor da Criação os cultos tinham muitos nomes para adaptar à cultura local, Filhos do sol, Shining Ones, Culto dos Iluminados, Sunshine, Golden Lights, etc. Isso fazia com que o culto não chamasse muita atenção, mas todas as doutrinas preparavam os devotos para identificar e proteger os solares assim que exaltassem.
Esse plano estava sendo executado há quase seis décadas, com progressos muito tímidos, mas encorajadores, para alguns deles. Três exaltações haviam sido identificadas ao longo desse tempo. Mesmo que todas eventualmente tenham morrido antes de terem sido propriamente resgatadas por algum sideral da Gold Faction (junto com os mortais que estavam a protegendo), ainda consideravam que o culto estava cumprindo o propósito.
Essas células não haviam despertado o interesse do Império, nem da Bronze Faction. Afinal não é muito bem visto tentar eliminar um culto ao próprio Unconquered Sun.
Um dos aliados desse culto era o Golden Lord, uma entidade muito poderosa de An-Teng e um dos deuses representante do sol e da justiça na Criação. Ele sabia da existência desses cultos ao Unconquered Sun que haviam surgido na Criação. E missionários de Shen Aru chegaram até Ang Teng há 80 anos. Ele próprio havia dado um empurrãozinho pra eles, e agora tinham até alguns templos em cidades menores.
Os siderais queriam que o Golden Lord desse 4 filhos para que eles criassem dentro da religião dos Iluminados. Cada um deles seria colocado em um lugar (Sul, Oeste, Norte e Leste) e treinado desde bebê para serem sacerdotes do Sol.
Inicialmente relutante, as palavras “Profetas do Sol” pareceram despertar nele um interesse. Ao que tudo indica ter seus filhos como sacerdotes do Unconquered Sun e dos Solares o deixou animado. Assim, ele forneceu quadrigêmeos para eles, duas mulheres e dois homens.
Um desses bebês foi dado ao templo de Great Forks, aos cuidados da deusa Dalila, novamente.
RY 652
Ravi recebeu esse nome pois na língua local significa “raio de sol”. Ele foi adotado pelo monastério Filhos do Sol em Great Forks. Era um bebê especial, e seus grandes olhos dourados revelavam isso.
Foi criado por Dalila e Naezra dentro do templo.
Seus primeiros passos foram lá, suas primeiras palavras, seu primeiro canto e sua primeira dança. O som de instrumentos de percussão não era incomum no templo. Dalila o iniciou nas artes. Havia nele bastante desenvoltura e uma bela voz.
Seus primeiros socos e chutes também foram lá. Na Naezra é um sensei implacável. Justo como o Sol, rígido como o carvalho e leve como as folhas de outono.
Desde bebê ele foi treinado para ser o principal sacerdote do culto em todo o Leste. Iria substituir Naezra quando chegasse o momento. Só que também precisaria saber se defender. Aquela célula era treinada pelo elemental e a deusa. Todos aprendiam a lutar, meditar e se sacrificar pelo culto.
Seu treinamento como artista marcial foi natural desde sempre. É o que mais gostava. Ele fazia as outras obrigações, ele meditava, ele respirava e soltava, ele estudava, ele varria e ele lavava. Mas o que gostava mesmo era aprender a pose do tigre, o bote da cobra, o pulo do leão, o voo da garça. E a criança levava jeito para isso, todos reconheciam.
Mas o mais importante é que ele era tratado como um messias pelos outros cultistas. Como se fosse a representação do sol na terra.
E ele era.
Todos ali acreditavam nisso. Todos faziam reverência quando ele passava, consideravam seus passos abençoados e suas rezas como pedidos divinos. Menos Dalila e Naezra, que sabiam a verdade.
Um perigo para uma criança. Ele era tão mimado que começou a se aproveitar disso. Mas Naezra e Dalila estavam preparados. Qualquer sinal de arrogância era punido com humildade imediata, fosse com castigos, fosse restrições. E logo ele percebeu que preferia ser humilde e praticar artes marciais do que ser arrogante e não praticar.
No templo haviam 2 estátuas de dois santos. São Vex e São Shen Aru. A criança havia estudado sobre eles. Por mais que São Vex fosse considerado o profeta por ter visualizado a religião, São Shen Aru que a moldou e foi iluminado por ela.
RY 665
Aos 13 anos ele já era considerado um sacerdote por todos. Havia dominado seus impulsos e já se portava como um adulto. Suas meditações o tornaram sábio (diziam). Já era solicitado para conferir conselhos, abençoar pedidos e pedir a graça do deus sol.
Também já era um artista marcial muito reconhecido. Havia participado de competições e já conseguia derrotar alguns adultos descuidados com o potencial do menino.
Ele não convivia muito com outras crianças além dos filhos dos cultistas, mas conheceu dezenas e dezenas de deuses e elementais. Fez até algumas amizades, com elementais com mentalidades mais infantis ou deuses pacientes.
Ele não tinha idade para participar de todas as preces alucinógenas, e percebeu que Naezra não participava de nenhuma. Quando ele o questionou sobre isso, o elemental não quis responder.
RY 667 - Primeiro dia da Calibração
Aos 15 ele foi fazer seu último ritual de passagem, para ganhar o título oficial de sacerdote dos Filhos do Sol. Levaria todos os dias da Calibração, que são os dias onde o Sol é o único astro nas estrelas. Considerado os dias que o Unconquered Sun mostra toda sua onipotência.
Foi feita uma missa solene que duraria amanhecer ao crepúsculo.
Cada fiél foi convidado a fazer uma contribuição para o templo, além disso também poderiam presentear o novo sacerdote com adornos de ouro, que ele usaria (brincos, pulseiras, colares, cintos, etc).
Dalila o presenteou com um artefato para representar sua santificação. Braçadeiras de Orichalcum, pertencidas pelo próprio São Shen Aru.
Depois da missa Naezra o presenteou com duas hook sword maravilhosas. Disse que encomendou sob medida para ele.
RY 667 - Segundo dia da Calibração
O menino tem um sonho conturbado e confuso durante a noite. Suas visões indicam algo incompleto, que precisa de continuidade. Sente um chamado para algum local, mas não entende onde é. Acorda no meio da noite com um súbito impulso de querer sair para uma caminhada. Dalila percebe e o faz voltar para cama, contrariado.
RY 667 - Terceiro dia da Calibração
Durante a noite Dalila recebe a visita de uma sideral. Ela havia recebido visitas de siderais poucas vezes, e sempre antes de eventos importantes (a maioria terríveis).
A sideral avisa que o menino tem um destino grandioso pela frente, e ele vai precisar cumprir um chamado antes disso. Seu destino vai colocar todos ali em perigo. É um perigo muito iminente, eles devem fugir dali imediatamente. Ela fica na dúvida se deve interromper ou não as missas.
Dalila conversa com Naezra sobre isso. Os dois decidem continuar as missas, já que só faltam 2 dias. Mas já deixam coisas preparadas para uma fuga rápida.
Separam 12 pessoas e pedem para arrumar coisas para uma viagem.
RY 667 - Quarto dia da Calibração
O mesmo sonho o aflige, com uma urgência ainda maior. Seu destino é a continuação de outro destino. Essas coisas estão interconectadas. Ele acorda num pulo, mas Dalila está ao seu lado e impede que ele saia do quarto novamente.
RY 667 - Quinto dia da Calibração
As festividades para consagrar no novo sacerdote serão concluídas no crepúsculo do último dia da Calibração. Dalila e Naezra estão nervosos para que o evento acabe logo, no dia seguinte partiriam de Great Forks.
Ravi, o novo sacerdote dos Filhos do Sol, parece sereno. Seus olhos dourados acompanham os últimos raios de Sol do último dia do ano. Nenhuma outra luz celeste seria presenciada até o ano seguinte. Essa era a mensagem do Unconquered Sun. Mesmo que sua luz não brilhasse por um período, sempre haveria uma nova alvorada.
Parecia que o chá de cogumelo que havia tomado durante o ritual estava fazendo mais efeito do que de costume. Seu coração deu uma batida que parecia um tambor. Ele sentiu o chamado novamente, dessa vez mais forte do que nunca. Nem seu treinamento conseguia suprimir a ansiedade e a agonia que estava sentindo naquele momento. Ele precisava estar em outro lugar. Seu destino estava o chamando.
Antes que qualquer um pudesse contê-lo, ele disparou pelas ruas de Great Forks. Cortou avenidas, subiu em telhados, pulou muros e derrubou barris. Não tinha ideia para onde ia, mas sabia que tinha que ir.
Suas pernas o levaram até fora da cidade. Nunca havia estado ali, mas era um lugar familiar. Havia sofrimento e dor naquele local, mas também renascimento e esperança. Ele se ajoelhou, fechou os olhos e rezou, pedindo iluminação e força para seguir o seu destino. E suas preces foram respondidas.
Percebeu que havia luz à sua frente, e quando abriu os olhos viu uma figura imponente à sua frente. O Sol estava ali, oferecendo uma de suas quatro mãos para que ele se levantasse.
“Vá, meu filho. E cumpra seu papel como protetor da Criação. Vá e continue o seu destino, que aqui foi interrompido.” disse Unconquered Sun.
Nessa hora Ravi notou que seu corpo brilhava com a luz solar e, acima da sua cabeça, havia uma enorme bola de fogo dourado. Estava estupefato. Sua fé fervorosa estava borbulhando dentro de si. E, por fim, aquilo comprovava sua santidade perante à Criação. Aquilo tudo parecia um sonho, e ele nunca se sentiu tão bem na vida. Dele emanava a única luz celeste que haveria até o próximo dia.
Mal sentiu quando Naezra o chacoalhou com os olhos arregalados. Só viu de relance Dalila correndo de volta para a cidade.
Quando saiu de seu transe estava correndo para longe da cidade, com Naezra o puxando pelo braço, muito firmemente.
Eles fugiram de Great Forks daquela maneira. Dalila foi até o templo buscar todas as coisas que havia separado para aquela situação, contactou os 12 asseclas e encontraria o elemental e o recém solar em uma cidade a leste dali.
Porém o aviso da sideral não foi em vão. Eles **deveriam **ter ido embora antes. Coincidentemente ou não, havia um monge imaculado chegando de viagem naquela mesma hora, pelo portão leste da cidade.
O que se seguiu ainda é comentado em Great Forks, com diversas versões, poucas próximas da verdade. A Batalha dos Portões. Em que um Anathema/Solar/Lunar/Deus/Demônio (dependendo da versão) começou uma briga com um Dragon Blooded/Elemental/Deus por conta de uma dívida, essa briga escalou até começarem a botar fogo na plantação próxima. Outros falam que, na verdade, eram todas as opções juntas. Uma trupe com um Lunar, um Deus, um Demônio e um Anathema, haviam roubado o público de uma outra trupe de Dragon Blodeeds e elementais durante uma apresentação. De qualquer jeito a luta teria começado no crepúsculo nos portões da cidade e foi se estendendo para fazendas vizinhas. Brigaram até o amanhecer e só acabou quando o fogo pegou em alguns pés de maconha e os envolvidos ficaram com fome demais para lutar, saíram com desejo de comer feijão com melaço como desjejum.
A história verdadeira é que alguns monges imaculados viram o banner do solar recém exaltado e foram atrás. Mesmo o elemental e o solar correndo não conseguiram despistá-los e tiveram que brigar. A briga começou nos portões da cidade e se arrastaram pelas fazendas vizinhas. Naezra segurou o Dragon Blooded enquanto Ravi corria e lutava contra monges imaculados mortais. A luta terminou quando o garda bird se explodiu em uma torrente de fogo, fazendo os inimigos recuarem por conta das chamas.
Eles encontraram Dalila na vila marcada e todos fugiram o mais rápido que puderam.
Passaram semanas viajando de cidade em cidade, de vila em vila seguindo o Yellow River em direção à leste. Visitaram brevemente por Marita, desceram o Maruto River, passaram por Nathir e ouviram histórias sobre as Ten Tribes e dos canibais da Arczeckhi Horde então preferiram seguir um caminho mais seguro desceram para o Sul pelo Sandy River. Seu destino era Sudeste, dizia Dalila, mesmo Ravi não entendendo o porquê.
Muitas vezes viajavam com caravanas ou com outros grupos. Foi uma viagem longa, mas sempre com muita alegria, cantoria e louvor. A noite cantavam e dançavam ao redor da fogueira. Dalila brilhava nesses momentos, deixando todos de sorriso no rosto e dança nos pés. Mesmo que não conseguissem converter todas as pessoas que conheciam, certamente ensinavam uma nova música ou dança de adoração ao Sol.
Ficaram algumas semanas na República de Chaya, que era um lugar muito diferente e completamente fora do esperado do local. E finalmente adentraram as selvas do Leste.
A viagem foi bem mais difícil a partir daquele ponto. O caminho para o leste não parecia ter fim, meses se passaram com matas e mais matas para todo lugar. passaram por vilas cada vez menores e entrepostos da guilda. A mata fechada, a presença de animais e outros perigos deixou todos em alerta constante. Não fosse a capacidade extraordinária de Ravi de conversar com animais e, por vezes, impedi-los de atacar, talvez não tivessem conseguido chegar ao seus destinos.
Durante essa viagem, Ravi estava se conhecendo novamente e reconectando consigo mesmo. Parece que todo seu treinamento havia o preparado para aceitar a sua nova condição. Parecia algo natural, tanto que não o surpreendeu. Isso não significa que ele não estava em júbilo constante por ter recebido aquela bênção.
Dalila não pareceu se abalar com a exaltação, o tratava da mesma maneira, com um amor materno e puxadas de orelha quando necessário. Naezra parece que foi quem levou mais tempo para processar aquilo, ele parecia completamente incrédulo e passava horas olhando para o solar. Ele via seu antigo amigo, e ao mesmo tempo via seu “filho”, um por cima do outro na mesma pessoa.
Todos seus treinamentos foram reforçados. E agora parece que seu progresso era exponencial. Ravi desenvolveu sua arte marcial para um nível celeste, assim como Shen Aru. E agora era um combatente imparável. Até mesmo o garda bird reconhecia que não havia muito o que ele pudesse ensiná-lo em combate mais. Mas seu treinamento continuava.
A chegada em Snakepoint foi anunciada como o destino final por Dalila. Se algum deles ficou surpreso com isso, não parecia demonstrar. Ravi ainda não entendia o motivo de terem ido para o fim do mundo, mas, além da fuga da Ordem Imaculada, eles tinham que levar a palavra do Sol para todos os lugares.
Se assentaram na fazenda de um dos devotos do culto. Dalila havia enviado uma mensagem de antemão e a família estava preparada para recebê-los. Depois de se estabelecerem ali, começaram a construir um pequeno templo, para que pudessem morar e também começassem o culto aos Filhos do Sol ali, naquele lugar.