Teerã foi enviado pelos familiares para ser “curado”. Tinha pesadelos todos os dias, acordava gritando à noite e tinha desenvolvido várias fobias. Ainda tinha memórias parciais do que havia acontecido com ele. Como aquela criatura de cabelos brancos havia tocado no fundo da sua alma. Quando voltou pra casa era uma casca vazia. As coisas ao redor não tinham cor, a comida não tinha sabor, as flores não tinham cheiro. Não havia prazer em viver.

Até que foi iluminado pelo Sol.

Ravi, o Messias, o Iluminado, o Santo, o representante do Sol, havia estendido a mão para ele e o tirado das trevas. Depois que Ravi o salvou ele percebeu que todos os prazeres da vida vem do Sol. Ele que ilumina as coisas, que faz as plantas crescerem, que provê o calor e o alento para que os humanos possam viver. O Sol que dava sentido à sua vida.

Teerã era um dos fieis mais fervorosos dos Filhos do Sol. Ele dedicou sua vida a espalhar a palavra do Unconquered Sun. Vivia e respirava os ensinamentos do Culto.

Ele havia ido até Snake Point com o Messias Ravi. Estava buscando algumas provisões em uma taverna, quando entrei ouvi uma conversa de uma mesa ao lado.

“Rapazes, acho que tá na hora de a gente visitar um daqueles mutantes dos Kin, aqui do lado. Um deles já vale uma grana boa, mas acho que se levar meia dúzia eles devem dar até um bônus! HAHAHAHAHA”

Ele reconheceu aquela voz. Era Jabar. O homem que o havia colocado na carroça e o levado para o inferno. Não iria permitir que ele fizesse o mesmo com outras pessoas.

Tomado por um ódio flamejante começou a gritar no meio do bar.

“EU NÃO VOU PERMITIR QUE VOCÊ FAÇA MAL A MAIS PESSOAS, SEU VERME MALDITO!”

Jabar olhou com ar de bêbado para o maluco gritando. Ergueu uma sobrancelha sem saber quem era aquele doido

VOCÊ VAI PAGAR POR SEUS CRIMES PERANTE AO DEUS SOL! VOCÊ É UM INFIEL E MERECE TODO CASTIGO QUE A LUZ PODE OFERECER!! VOCÊ É UM…

Jabar rumou uma caneca na cabeça de Teerã.

Como o cultista estava em menor número, apanhou como poucas vezes na vida. Só não morreu ali mesmo porque o dono do bar interviu e disse para Jabar e seus homens saírem.

“Vamos homens, temos dinheiro a ganhar.” deu um sorriso assassino e cuspiu no homem caído.

Teerã ignorou a ajuda das pessoas ao redor. Assim que conseguiu usou uma das drogas que estava no seu bolso e saiu correndo da taverna. Precisava avisar os Kin ou alguém do Culto.

Enquanto isso, Ravi estava entrando na sala do prefeito, junto com Dalila e Naezra. Eldric Burton estava comendo frutas e aparentava estar bem contente e descontraído.

A conversa começou bem amigável, os dois pareciam que iam chegar em um acordo. Até que Dalila entrou na conversa e mostrou que os argumentos que Eldric estava usando eram falhos e vagos demais. Ravi não gostou de saber que o prefeito estava tentando se esquivar do assunto novamente e começou a ser mais incisivo e acusador. Por outro lado, o prefeito não estava gostando do tom que Ravi estava usando contra ele. Começaram a bater boca e proferir palavras de baixo calão.

A coisa desandou mesmo quando o prefeito chamou Ravi de profetinha de araque e, como resposta, recebeu um soco bem dado no nariz. Os guardas pularam para bater em Ravi e os dois espíritos interviram enquanto o Zenith transbordava em fúria pelas palavras daquele infiel.

Ravi desferiu mais soco certeiro que quebrou uma perna de Eldric.

Ele começou a fazer um discurso de como aquela cidade estava infestada de marginais, corruptos e hereges, e aquele prefeitinho era a representação do quão degradada era ela. Ravi começou a usar seus charms para instaurar a crença de que ele tinha o direito de punir aqueles infieis. Por sorte o prefeito estava mais preocupado em segurar o nariz sangrando e se arrastar para longe com medo do que ouvir o que aquele maluco estava falando. Por conta do sangue ele não viu quando o caste mark de Ravi iluminou seu rosto e o solar começou a brilhar. Os guardas não tiveram tanta sorte.

Aquilo tudo durou apenas alguns segundos. O suficiente para Dalila olhar para Naezra e os dois saberem exatamente o que fazer. Dalila começou a cantar uma melodia hipnotizante e que deixou todos sonolentos, incluindo Ravi. Naezra foi rápido e preciso. Desferiu um golpe no pescoço de Ravi e o desmaiou na hora. Dalila só disse:

“Vá, eu resolvo as coisas aqui.”

O elemental pegou o messias desmaiado e pulou pela janela.

Alguns minutos antes Teerã estava correndo e gritando “OS KIN VÃO SER ATACADOS!! OS KIN VÃO SER ATACADOS!!” enquanto corria até a embaixada dos Kin. Se perceber, ele tropeçou em alguns irmãos do culto dos iluminados, mas só seguiu correndo gritando meio em frenesi e meio em êxtase. As pessoas do culto resolveram correr atrás dele pra entender o que estava acontecendo.

O jovem dobrou a esquina da embaixada e já deu de cara com Jabar e seu grupo na frente da porta. Estavam há menos de 10 metros, conversando descontraidamente com alguns dos Kin. Ele continuou correndo na direção deles e gritando “OS KIN VÃO SER ATACADOS!! OS KIN VÃO SER ATACADOS!!”, na esperança de que os Kin percebessem a armadilha.

Mas Jabar pensou mais rápido ainda. Quando ele viu o maluco que haviam acabado de surrar chegando gritando, e outros malucos pareciam dobrar a esquina ele gritou “Cuidado amigos Kin, os cultistas estão vindo atacar vocês!!”

Teerã ficou atônito com o que havia acabado de ouvir. Sua confusão foi tamanha que interrompeu a corrida e ficou sem saber o que dizer. Esse momento de paralisação foi o suficiente para Jabar avançar com a espada e perfurá-lo no meio do peito, com o mesmo sorriso no rosto.

“Acho que lembro de você…” foram as últimas palavras que Teerã escutou.

Os outros cultistas, vendo seu irmão morrendo na espada, culparam todos aqueles hereges pelo mesmo crime.

Gritaram todos juntos “Pelo Unconquered Sun!!”. Para confirmar que estavam fazendo a coisa correta, uma bola de fogo dourado enorme apareceu no céu, apenas por alguns segundos. O suficiente para dar forças a todos os Filhos do Sol.

Foi um longo dia.

Ravi não se lembrava muito bem como foi parar em sua cama, mas recebeu a notícia das consequências do que a fervorosidade dos seus seguidores causou. O que dizem por aí é que os cultistas atacaram a embaixada dos Kin para capturar eles e ganhar dinheiro. O que os seguidores dizem é que os Kin atacaram os cultistas que estavam passando perto deles. Um dos sobreviventes que presenciaram a cena disse à Ravi que viu alguém que não parecia ser um kin matar Teerã a sangue frio.

O posicionamento de Snake Point foi culpar o Culto dos Iluminados por tudo que aconteceu e cobrar uma taxa absurda pelos reparos. Também baniram o culto da cidade e tomaram o templo deles (Reach baixou de 2 pra 1). Todo o dinheiro que ganharam durante as festas da Calibração foi embora de volta para a Guilda.

A relação de Ravi com os Kin não era das melhores, isso não ajudou muito. Inicialmente os kin culparam os Filhos do Sol por matarem seus diplomatas e pôr fogo na embaixada. Mas, com mais investigação por parte de um dos magos (já que alguns dos diplomatas morreram) eles descobriram a verdade (através da magia SHADOWS OF THE ANCIENT PAST se alguém tiver). [dos espiões Kin em Snakepoint, conseguiram montar mais ou menos o cenário que aconteceu]

Algumas das pessoas de Snake Point, que já não gostavam dos kin, se aproveitaram da confusão e puseram fogo na embaixada. Alguns dos kin morreu no incêndio, outros na mão de cultistas, outros na mão de cidadãos da cidade. Também viram que um cultista do culto dos iluminados tentou avisar os kin antes da confusão.

Dalila tomou as precauções necessárias também. Teve que acionar o seu “contato” sideral, avisando que precisaria bagunçar algumas lembranças das pessoas que estavam na sala com o prefeito. Infelizmente, já a bola de fogo dourada no céu não tinha muito o que se fazer.

Com isso o culto tomou outro rumo. Ao invés de investir em Snake Point, decidiram expandir para o resto da região. Todo o dinheiro arrecadado do culto seria investido nisso.